ENEM: Um processo interessante “tanto pela forma, quanto pelo conteúdo”

*Por Brenda Gomes

Com a proximidade das inscrições do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem os alunos do terceiro ano do ensino médio de várias escolas do Brasil, se deparam com a ansiedade, dúvidas,  e inúmeros conteúdos para estudo.

Como a escola pode auxiliar nesse processo? Com a família pode ajudar nas indecisões? Essas e outras questões foram respondidas pela Coordenadora Pedagógica do Curso e Colégio Oficina e Diretora Pedagógica do AGREGA – Assessoria e Consultoria em Projetos, Luciana Oliveira, em entrevista para o A TARDE Educação.

A TARDE EDUCAÇÃO: Mesmo com tantas mudanças na sociedade, uma coisa não mudou, a ansiedade pelo vestibular. Como você explica isso? Os alunos estão mais ou menos interessados com o passar dos anos?

LUCIANA OLIVEIRA: Os processos seletivos são a porta de acesso às Instituições de Ensino Superior (IES). Natural que, atendendo a um chamado social, os alunos egressos do ensino médio desejem cursar uma universidade. Quando temos um quadro de maior demanda que oferta de vagas, a ansiedade passa a ser um componente pertinente ao contexto. Quanto ao interesse dos alunos em ingressar em cursos universitários, dependendo do discurso do seu contexto, das expectativas familiares e sociais, é tão grande ou maior do que em outros tempos. Com o SISU e a possibilidade de ampliar suas escolhas acerca das IES, cresce, também, o desejo por cursar universidades fora de seu Estado de origem.

ATE: Como a família pode interferir nesse processo de transição, do ensino médio para a academia?

LO: Dando mais autonomia aos seus filhos, estimulando-os a serem responsáveis por suas escolhas, encorajando-os diante dessa nova relação com o que é um desejo, mas que assusta por ser novo. Estabelecendo diálogos de verdadeiro crescimento – diante de uma situação adversa, ampliar o leque de possibilidades de resolução e confiar que seu filho será capaz de funcionar para solucionar a dificuldade. Estar presente como apoio.

ATE: E os indecisos? Como a escola pode auxiliá-los nas escolhas pelo curso e instituições?

LO: A indecisão possui diversos fatores, alguns da competência da escola, outros não. O papel da escola é oferecer informação profissional, promover visitas às Instituições de Ensino Superior, dinâmicas em sala de aula e até, em alguns casos, uma proposta de Orientação Profissional. Outras demandas, no entanto, precisam ser acolhidas pela família e/ou pelo próprio sujeito da escolha, o aluno.

ATE: As rotinas de estudos são uma fórmula eficaz para o sucesso no exame?

LO: As rotinas e os procedimentos. Fazer um quadro de estudos, organiza o tempo que o aluno destina a sistematizar o que viu em sala de aula. Conhecer a maneira como aprende é fundamental para que o aluno otimize o tempo de estudo. Não podemos esquecer que o tempo é ouro para os alunos que estão se preparando para os processos seletivos.

ATE: Como enxerga a inclusão do ENEM como uma das fases de avaliação dos vestibulares? Esse mecanismo tem ajudado ou prejudicado os alunos?

LO: Entendo o ENEM, como avaliação do Ensino Médio, um processo interessante, tanto pela forma, quanto pelo conteúdo. Vem se aprimorando na abordagem conteudista e nas habilidades e competências estabelecidas em seus descritores. O SISU, por sua vez, é uma forma de processo seletivo que traz uma mudança de paradigmas. Primeiro porque o candidato pode escolher mais de um curso e/ou mais de uma IES. Depois porque essa escolha é muito ampla geograficamente, podendo contemplar Universidades em todo o território nacional. O prejuízo pode ficar por conta da dificuldade em escolher, que pode acarretar em um mau uso dos pontos adquiridos na prova do ENEM: escolher qualquer curso para não ficar de fora de uma universidade.

ATE: Sobre a concorrência, como trabalhar com os alunos para que eles levem isso de uma forma saudável?

LO: Esse é um aspecto difícil de lidar, pois temos uma disparidade entre o número de vagas e o número de candidatos. O que o SISU promove por um lado é a ampliação do número de IES, pois contempla Universidades em todo o território nacional. Por outro lado, amplia a concorrência, que passa a ser , também, nacional. A maneira de minimizar os efeitos danosos de ter que lidar com a concorrência é preparando os alunos, nos aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais, para que enfrentem com confiança os desafios que fazem parte do jogo.

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