Recuperar o quê? – O dilema de fazer, ou não “recuperação”

Por Diego Teles*

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Ao final do ano letivo, o mais comum é encontrarmos estudantes no processo de reorientação na escola: a recuperação. Sabe-se que, nesse sentido, recuperar o ano escolar em algumas semanas, às vezes, até dias, não é fácil; talvez, uma tarefa quase impossível de ser feita no viés qualitativo, admitindo a atual conjuntura. Assim sendo, acredito no processo de recuperação paulatino; entendo o mesmo de forma anual, dessa forma, sim, vejo uma maneira de auxiliar no aspecto ensino-aprendizagem, o que, de fato, é a principal intenção do recurso, como norteado pela LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Percebo, ainda, como a comunidade educacional se atem à recuperação como forma punitiva – em escolas da rede privada, de forma abusiva – e, assim, gera no corpo discente a “pressão” do não perder o ano letivo. Então, é visível a necessidade de nós, educadores e familiares, ajudarmos aos/às educandos/as na prática da recuperação, que deve ser uma atividade que busque entender as razões pelas quais os/as estudantes projetam tais comportamentos no fator tão importante à vida das pessoas, a educação.

Entendo e sou, veementemente, contra a recuperação de forma estanque, pois a mesma analisa, por si, o processo de interação entre docentes e discentes, tornando evidente o fracasso e o êxito na ação de ensino-aprendizagem. Vejo a reorientação como forma de auxílio na práxis pedagógica, na transformação de conteúdos não “aprendidos” – leia-se, para a escola, formalmente – em situações atitudinais que fomentariam o aprender.

Recuperar é reavaliar, reorganizar, repensar a aprendizagem, o saber.

* Diego Teles é Professor de Língua Portuguesa e graduando de Licenciatura em Letras – Língua Estrangeira na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Militante na luta do Antirracismo e Direitos Humanos.

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