Provas de recuperação não garantem o aprendizado

Por Itana Silva
Raul Spinassé l Ag. A TARDE

Raul Spinassé l Ag. A TARDE

Fim de ano letivo e um drama recorrente: a recuperação escolar. Grande parte dos alunos, sejam estes da rede particular ou da rede pública, já conhece (e teme) a chamada última chance de passar de ano.

Se, por um lado, os discentes consideram a avaliação final um castigo de professor que “pega no pé”, por outro, há a necessidade dos professores que precisam reiterar determinados conteúdos, agora de forma condensada, para que o aluno absorva mais rapidamente.

Embora o termo remeta à possibilidade de o estudante aprender tudo o que não foi assimilado, a recuperação é uma situação específica, onde o aluno pode estudar as disciplinas nas quais teve dificuldade de aprender, a fim de evitar a repetência.

Para a professora Débora Reis, “a recuperação é eficiente apenas para se obter um resultado final”, não devendo ser tratada como uma forma eficaz de fazer o aluno compreender o que não foi aprendido durante o ano.

Distrações

As distrações do dia a dia, somadas ao uso abusivo das tecnologias, podem comprometer o rendimento das obrigações escolares e impedir que as crianças atinjam a média preestabelecida para serem aprovadas no final do ano.

“O celular é uma tentação e, se a gente não tomar cuidado, atrapalha, como aconteceu comigo este ano”. A declaração é da estudante do oitavo ano Hévellyn Monteiro, que ficou em recuperação de três disciplinas.

A família é o principal contribuinte para o alcance da média necessária de aprovação. Seja por meio de pais cuidadosos que monitoram as atividades escolares dos seus filhos, durante todo o período letivo, ou pela pressão de pais que exigem das crianças que elas sejam aprovadas.

Recuperar o quê? – O dilema de fazer, ou não “recuperação”

“Os pais cobram desses alunos resultados, e é nesse momento que a criança passa a estudar demasiadamente. Em alguns momentos essa aprovação vem sem um resultado que deveria ser, de fato, positivo”, pontua Débora Reis.

A necessidade de concluir o período, por vezes, leva o estudante a buscar resultados numéricos. Ao invés de agregar conteúdo, o aluno estuda somente o necessário para concluir o ano.

“Ano que vem eu vou fazer melhor. Este ano eu brinquei muito e não estudei o suficiente e fui para a recuperação. Vou me empenhar para ser uma aluna melhor”, reconhece Hévellyn.

“Os discentes obtêm notas quantitativas, mas não qualitativas”, exemplifica ainda a professora, que completa: “As notas refletem a qualidade do aprendizado. Para algumas famílias, esse resultado é satisfatório”.

A estudante do sétimo ano Brisa Nunes concorda: “Não tem como aprender tudo na recuperação. Então, a gente tem que se esforçar durante o ano todo para não precisar fazer. Eu tenho dificuldade em algumas matérias, então tento estudar mais”.

Redes de ensino

Há diversas alternativas para evitar ficar na dependência e aproveitar as férias mais cedo. Existem redes de ensino, por exemplo, que oferecem suportes de apoio pedagógico, normalmente em turno oposto, para que as crianças sejam auxiliadas nas dificuldades escolares.

Assim como os grupos de estudo, as aulas de reforço também são um caminho eficaz. “Eu faço banca e isso me ajuda muito. O que eu não consigo entender direito na escola, a pró (professora) do reforço me ensina”, afirma Brisa. Além da recuperação final (a que os alunos fazem no desfecho do ano), existem outros esquemas de recuperação, como a contínua e a paralela.

A paralela ocorre no final de cada semestre, quando o aluno recebe, juntamente com o boletim, um plano de estudo a ser cumprido. É realizada também por meio de aulas extras, no caso de estudantes que possuam mais dificuldades.

Já a contínua é feita no desdobramento das aulas, com orientações de ensino,  adaptadas às complicações de cada aluno.

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