BRINCADEIRA SÉRIA: A importância do brincar no desenvolvimento infantil

*Por Aline Dunham
Jeff

A relação entre o brincar e o desenvolvimento infantil tem sido um assunto recorrente, constantemente abordado em diversos estudos apoiados pela neurociência. Certamente, você já deve ter ouvido alguém falar, ou lido em algum lugar, que a brincadeira é importante na vida da criança e que esse momento deve ser respeitado. Mas será que você já questionou o motivo pelo qual profissionais especializados têm se preocupado tanto em falar sobre uma atividade que aparenta ser tão simples?

Nos dias atuais, quando as crianças se deparam com suas horas controladas, divididas entre escola,  cursos e outras tarefas extra curriculares, o tempo reservado para as brincadeiras tem sido cada vez menor, por serem consideradas pouco importantes. É muito comum escutar pais verbalizarem, cheios de orgulho, que as agendas superlotadas dos filhos não lhe permitem mais ter tempo para as brincadeiras, numa espécie de discurso que associa o brincar com irresponsabilidade e falta de compromisso para com os estudos. Com esse pensamento, inclusive, algumas famílias estão substituindo férias por reforço escolar, acreditando que seus filhos “estão sendo preparados para se tornarem pessoas responsáveis”.

O que muitas famílias não sabem, ou talvez ignorem, é que as brincadeiras são essenciais para a formação da criança (por esse motivo, é um direito garantido pela Constituição) e que ajudam a desenvolver diversas habilidades, dentre elas, motoras, cognitivas (percepção, memória, atenção, concentração, etc.) e emocionais. São essas habilidades, inclusive, que irão favorecer o processo de aprendizagem da leitura, escrita e matemática. Logo, a criança aprende brincando.

Aprende também a desenvolver seu potencial criativo, autonomia, a interagir com seus pares, a compartilhar ideias, assimilar regras e respeitá-las, a liderar, exercer trocas de papéis (através do faz-de-conta, fantasia), a solucionar situações-problema. Aprende a estruturar e desenvolver seu mundo interior, emocional, a lidar com frustrações, a amadurecer. Todas essas capacidades são essenciais ao seu futuro acadêmico e profissional.

Uma criança que não brinca, ou que brinca muito pouco, apresenta dificuldades em seu desenvolvimento cognitivo, motor e emocional. Assim, respeitar o momento do brincar de seu filho significa respeitar sua infância e etapas de desenvolvimento, garantindo que ele cresça de forma saudável.

Assim como o trabalho é indispensável aos adultos, o brincar é coisa séria.

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*ALINE DUNHAMEspecialista em Psicopedagoga Clínica e Institucional. Atua como psicopedagoga clínica. Pós-graduanda em Neuropsicologia. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem.
Instagram: @psicopedagogiasalvador / @brinkreabilit
Blog: psicopedagogiasalvador.blogspot.com.br

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