AUTISMO E EDUCAÇÃO: Conhecer e humanizar para incluir

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*Por Patrícia Teodolina

O grande desafio da educação para promover a aprendizagem da criança com autismo é desconstruir seus saberes para reconstruí-los. É abrir-se ao desconhecido, investindo em estudo, pesquisa e observação a fim de desenvolver procedimentos e técnicas conforme o nível do transtorno do aluno, podendo ser, inclusive, esse planejamento único, uma vez que dificilmente se encontram dois autistas iguais.

Em geral, educa-se para adaptar às crianças aos modelos sociais existentes e o indivíduo com autismo pode não se encantar por eles ou por qualquer proposta apresentada até que o professor o atraia a partir de assuntos que o interesse. Isso sim dá resultado! O autista é alguém que precisa ser conquistado! Portanto, conhecê-lo, saber de suas preferências – músicas, desenhos, filmes, brinquedos – é decerto uma estratégia funcional, porém, insuficiente!

Muitas escolas desconhecem sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e sobre o processamento sensorial. Vários docentes jamais ouviram falar dos sentidos vestibulares e propriocepção, desconhecem as consequências da sobrecarga sensorial em uma pessoa no transtorno, não entendem a importância de uma sala de acomodação sensorial, das pistas visuais e da comunicação alternativa para esse público. Como ensinar com tanta desinformação? Não é à toa que se percebe a comunidade escolar, em geral, aflita com a inclusão dessas pessoas.

É preciso sair da zona de conforto e fazer parcerias, a escola não pode ficar isolada neste cenário complexo. Diversas clínicas já oferecem seus espaços para orientar os educadores de seus pacientes, mas o número de profissionais que comparecem aos encontros ainda é muito pequeno. É importante lembrar que sem formação continuada não se faz inclusão. Além do mais, para realizar tão árdua tarefa, é preciso ser mais que professor, coordenador e diretor, é imprescindível ser HUMANO – ter empatia, docilidade,  compreensão e envolvimento para transformar.

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*Patrícia Teodolina é Analista de Sistemas, graduanda em Pedagogia, Presidente do Projeto Fantástico Mundo Autista – FAMA e mãe de Rodrigo, que também é portador do TEA.

*Ilustração por Lucas Tonelli

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