REFLEXÕES ACERCA DA APLICABILIDADE DA LEI 11645/08: O QUE APRENDER COM AS COMUNIDADES NEGRAS QUILOMBOLAS?

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<p class=”western”>Carlos Eduardo C. de Santana<sup><a class=”sdfootnoteanc” href=”#sdfootnote1sym” name=”sdfootnote1anc”><sup>1</sup></a></sup></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Parece-me que uma leitura possível quanto à aplicabilidade da lei 11645/08, tem como antecedente o conflito provocado por leituras </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>calcadas</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> pela intolerância e no secular preconceito étnico-racial presente nas sociedades modernas, sob orientação positivista – evolucionista inaugurado não necessariamente em nosso país, mas também de forma marcante em nossas terras. Então pretendo aqui afirmar que, de imediato, urge a necessidade de retornarmos ao debate em torno de questões insistentes quando se fala de uma(s) identidade(s) negra(s) e indígena, na sociedade brasileira. Tal debate adiado e, confortavelmente “esquecido” reflete, tão somente a consolidação de uma sociedade plural, sem conflito, tão propagada nos diversos ambientes sociais e acadêmicos. Ora, a quem idéia tal propagação? Por que acreditarmos que finalmente chegamos numa sociedade sem conflitos e sem problemas étnico-raciais? Discurso antigo – Mito da Democracia racial. Sem essa “lembrança” de certo teremos – pesquisadores, educadores e ativistas – dificuldades na elaboração de políticas p</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>ú</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>blicas agregadas a implementação da Lei de Diretrizes e Bases – LDB e suas recentes alterações, leia-se lei 11645/08.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Bom, então definido tais questões iniciais, tão somente neste momento construiremos possíveis estratégias de superação deste antigo paradigma. Uma pista inicial nos remete a investigarmos como a construção de uma identidade cultural, que incorpora e resignifica elementos de natureza essencial, trazem para o cenário os diversos diálogos, potencialidades e verdades sobre estes ou aqueles grupos definidos e afins. A idéia de que somos uma nação plural não tem ressonância nos discursos e nas ações sociais, tampouco nas esferas acadêmicas. Universalizam-se os “problemas”, mas particularizam-se as soluções, ou seja, a educação de boa qualidade para todos, ainda privilegia os detentores dos parcos “capitais culturais”, e tal afirmação no país como o Brasil, também significa dizer a cor da pele dos que podem deter tais capitais e aqueles que precisam se contentar com o que sobra para seus pares. </span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Ora, então porque tanta dificuldade e discussões no âmbito escolar quando o assunto é a aplicabilidade da lei 11645/08? Todo docente, nos mais elementares cursos de magistérios, aprendeu que deveríamos “trabalhar a realidade do aluno”. Até porque nossos alunos já vivenciam a Lei 11645/08 em todos os seus dias, dentro ou fora da escola. Então insisto em afirmar que há uma questão anterior à própria LDB, que é a compreensão do que venha ser essa identidade cultural, latente e ao mesmo tempo tão presente em nossos alunos. Certamente que uma nação construída sob a égide da supremacia de um povo, em detrimento físico, cultural e ideológico dos demais haveria de provocar distorções, distúrbios e neuroses. Tal condição propiciou dificuldades em questões aqui genericamente definidas em três perguntas: o que eu sou? O que dizem que sou? E o que eu digo do que dizem que sou? Perguntas capazes de mobilizar a quantidade de esquemas mentais proporcionais ao nível de conhecimento sobre os próprios elementos ancestrais.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><a class=”sdfootnotesym” href=”#sdfootnote1anc” name=”sdfootnote1sym”>1</a> <span style=”font-family: Arial, sans-serif;”>Pedagogo, Doutor e Mestre em Educação e Contemporaneidade pelo programa de Pós-Graduação da UNEB. Consultor para Educação Quilombola, na Secretaria de Educação da Bahia (SEC), pesquisador do Grupo Memória da Educação da Bahia (UNEB).</span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> Ora, não basta apenas introduzirmos novas história ou novas descobertas sobre os faraós e Zumbi dos Palmares, no contexto das aulas de história e artes e neste momento perdemos mais uma vez a oportunidade de aprofundarmos naquilo que é tão elementar e essencial, que é a possibilidade real de aprendermos como povos tão antigo e tão plural, produziram legados tão vastos e gerais, que seria de grande dificuldade para qualquer um, imaginarmos a formação da humanidade sem essa percepção mínima. </span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Urge provocarmos diálogos, nos campos e praças, trazendo possíveis novas combinações, o que deverá fomentar, por assim dizer, a construção de um “eu” cultural, local e global na dimensão da grandeza humana. Creio que já não restam duvidas quanto à possibilidade deste dialogo profundo e profícuo entre compreensões e leituras diferentes quanto à existência neste plano. Então vejo, promoção deste dialogo entre os diferentes, passará inicialmente por uma urgente revisão histórica, trazendo a tona os mitos, ritos e intervenções capazes de promover o homem e a mulher negro (a) contemporâneo (a) cujas raízes foram soterradas por um outro que até então se escondia sob o manto das hordas positivistas, capitalistas, racistas, para preservar o </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><i>status quo</i></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> adquirido.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Para onde, portanto, incluiremos tais “novidades”, já que não bastam tão somente trazer á tona histórias antigas e muito antigas? Eis que, ao falarmos de competências e habilidades, estamos discutindo aquisições essenciais e ferramentas capazes de estimular em e desenvolver um raciocínio lógico, conseq</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>u</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>ente e cidadã. Então a lei 11645/08 interage como uma ferramenta útil e eficaz capaz de provocar em nossos educadores a reação necessária para compreender que estamos lidando com mais um aliado. A cultura africana, base primaria e circulante das nações mundiais, bem como a nossa civilização, também poderá nos mostrar e ensinar como é possíve</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>l</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> o lúdico, o criativo, o operacional, o racional, o lógico e o simbólico coexistem nas invenções sociais, religiosas e culturais e persistem até os dias atuais. Quando perceberemos que ainda temos que aprender a intervenção da tradição calcada na oralidade, sustentada coletivamente, com o tempo e o espaço definido simbolicamente e significativamente pelo grupo, e que também produzem elos circulantes e provocantes, incitam epistemologicamente por gerações, educadores, pesquisadores e comunidade.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Dito assim, cabe-nos lembrar a urgente e permanente necessidade de uma metodologia apropriada e adequada para tais compreensões. A “reinvenção da áfrica” impõe a todos uma circulante ação – reflexão sobre métodos e técnicas capazes de produzir, compreender e induzir fenômenos culturais desta que é a civilização mais antiga do planeta.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: large;”><b>Rodas: Ontológicas percepções e sentidos.</b></span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Matta (1995) no seu trabalho sobre a relativização do conhecimento e de suas inst</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>â</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>ncias científicas, alude de forma significativa a importância do “olhar” do sujeito sobre os fenômenos. Segundo Matta, não é a m</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>á</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>quina fotográfica que define a beleza e o alcance da fotografia, e sim o olhar do fotografo. Tal reflexão, ainda que bastante simples, traduz um pouco o que muda, ou que poderia mudar, a partir da implementação da Lei 11645/08. Ora, nossas crianças não passaram a ficar mais negra a partir de tal Lei. Na verdade sempre foram, ou sempre, sempre estiveram ali, nas nossas frentes. Suas idéias, sentimentos e sonhos também. Se então por um minuto ouvíssemos tais expressões, de certo teríamos aprendido muito e há mais tempo. O pensamento racionalista impregnado nas diversas nuance</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>s</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> do mundo moderno levou a uma padronização perigosa e capaz de provocar distorções nos olhares e nas compreensões sobre esses olhares.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>A experiência africana e sua conseq</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>u</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>ente compreensão dos fenômenos que cercam o que por ora chamamos de realidade, traz em si sentidos, significados e valores, peculiares de povos milenares, de sabedoria e tradição que se perdem na própria história da humanidade. A circularidade e a noção do ser e estar num plano e nos planos de forma presente – ausente – presente, carrega em si uma forma de percepção de tais sentidos e significados. O homem e a mulher que ginga tanto numa roda de capoeira, quanto numa samba de roda, bem podem ser entendidos como uma ação que em si traz a noção do estar e não – estar no centro da roda, assim dizendo também significa a possibilidade e a impossibilidade não como opostas e sim como complementares. Ora, a presença dos corpos que aprendem e ensinam, moldam e são moldados se mostram diferentes da tradição racionalista que impôs a urgente necessidade das repostas e entendimentos dos fenômenos de forma unidirecional e utilitário. Aqui o corpo imobiliza-se sob o argumento de que corpos dóceis não causam “problemas” e portanto rendem mais e melhor. Assim na escola, assim nos espaços públicos, assim nas salas dom</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>é</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>sticas. Por assim dizer, a inserção da cultura negra seja a partir da lei 11645/08, seja como elementos matriciais nas diversas áreas do saber e da produção.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Um mundo circular e dinâmico, visto sob o olhar das experiências africanas nas diversas expressões cotidianas por todo planeta, bem como em nossos quintais e salas de aulas, traduz que, valores, sentidos e significados em conflito e tensão permanente sempre estiveram diante de nossos olhares, sempre estiveram pulsando insistentemente sob nosso</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>s</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> olhos. Apenas exigir-se-á do educador, que também é um pesquisador, uma renúncia inicial das construções ontológicas de um mundo erguido por um </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><i><b>princípio motriz</b></i></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> racionalista – cartesiana – capitalista. Significados, portanto, de uma outra ordem mundial, ou seja, falo de éticas existenciais com percepções e sentidos essencialmente diferentes, aqui insisto em afirmar que tento aqui fugir da visão reducionista e mera especulativa, de que estamos lidando com um lado bom em contraposição a seu oposto. Seguindo assim uma possibilidade, ainda que remota, mas não menos original e supositiva. Vejamos aqui o conflito instalado. Tensões e relaborações terminam por fazer parte desta estrutura construída secularmente, denominada “escola”. Será portanto a Identidade Cultural o elemento provocador e ao mesmo tempo intencional para a instalação deste proposto di</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>á</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>logo substancial e com fundamentos éticos e convivencial? </span></span></p>
<p class=”western”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: large;”><b>Identidade(s): Tradições e Experiências de educação. </b></span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>A </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>identidade</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> de um grupo social é construída a partir de símbolos ou valores que carregam em si um significado aos indivíduos que se incluem (ou excluem-se) naquele c</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>í</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>rculo convivencial. O </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>sentimento</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> de pertencimento se dá a partir de um </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>passado comum</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>, cujos laços de </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>parentescos </b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>reforçam </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>e revivifica </b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>esse sentimento. A </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>memória</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> tem um papel fundamental na afirmação identitário do grupo, pois é nela que se fundamenta o </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>continuum</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> entre passado-presente num jogo de resignificados e relaborações, construído coletivamente. A </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>terra</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> onde os antigos viveram não será apenas um lugar de lembranças, mas sim um </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>espaço</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> vivo, cujo sentido exibirá um significado existencial apenas para aqueles que se identificam com ela. É na tradição </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>oral</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> que os sentidos e os significados são passado de pai para filho, e a </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>palavra</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>, o </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>dialogo</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>, o </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>argumento </b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>e o </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>conselho</b></span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> constituem práticas essenciais na vida do dia a dia da comunidade.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>As comunidades negras Quilombolas, por exemplo, ou pelo menos na maioria delas, não se isolaram com uma estratégia de sobrevivência, e sim foram v</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>í</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>timas de um “esquecimento” intencional objetivando sua falência e desaparecimento enquanto uma comunidade que resistiu a uma ordem notadamente homogenizante. A negação do outro em sua história, ocultando toda trajetória de resistência a um período absurdamente escravocrata, evocando o mito da democracia racial para dissipar as pistas que conduziria aquela comunidade quilombola a perceber o patrimônio cultural que constitui suas tradições, suas brincadeiras, suas histórias, faz parte desta estratégia de ocultamento. É possível entender que não se tratou de um processo de invisibilidade, como sinônimo de “escondido”, “não-visto”, e sim como um fenômeno de exclusão intencional, de esquecimento, de descaso, pois atende à tendência em negar-se à elaboração de políticas públicas justas e favoráveis à manutenção de um importante movimento iniciado em um período histórico específico, propiciando, com a falta de proteção oficial a exposição da comunidade aos mais diversos perigos, pela falta de políticas de saúde, de transporte, de proteção ao modo de produção característico das comunidades, de proteção ao direito a terra; de proteção à história e manifestações culturais pela ausência de um modelo educacional adequado às suas características culturais; e vários outros.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> Os quilombos representavam definitivamente o oposto do que se propunha a elite branca como uma civilização “desenvolvida”, “moderna”. Daí porque serem deixados à própria sorte. Reafirmar os valores simbólicos de indivíduos que partiram de um “mundo primitivo” e aqui (re) construíram formas singulares e plurais de ser – perceber e estar neste “mundo” de fato representava uma ameaça à cultura “superior” dos dominadores. Como admitir, por exemplo, um outro “Haiti” na proporção de uma nação como o Brasil? Como reconhecer um modelo econômico (quilombola) baseado no plantio coletivo e na distribuição igualitária de alimentos numa jovem nação que cobiçava o modo de produção predominante baseado no acúmulo e na produção em larga escala com uma apropriação cruel dos recursos naturais e da força de trabalho humano, sob a alcunha de “progresso”? Tornar visível este outro “mundo primitivo” era trazer à luz um exemplo de movimento político que poderia servir como forma de apresentação de modelos de exemplos positivos da história negra na Diáspora. Aqui uma invisibilidade manipulada por latifundiários, grileiro, </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>agência</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> de turismos inescrupulosos, empresas privadas e estatais. Invisibilidade como uma forma de </span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>desterritorialização</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>, descentramento, fragmentação</span></span><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>. Invisibilidade entendida como “não – existência”, “não –ser”.</span></span></p>
<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: large;”><b>Considerações</b></span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Sem a dimensão da memória social, do sentimento de pertencimento, da percepção da territoriedade, enquanto categorias constitutivas de uma identidade, que é reelaborada e resiginificada no cotidiano, dificilmente compreenderiam a totalidade e a complexidade das questões em jogo nas comunidades remanescentes de quilombos. Estamos falando de comunidades regidas pelos sistemas de “uso comum da terra”, e se constituem “numa base fixa considerada comum, essencial e inalienável”. O convívio social nesses sistemas é norteado por valores onde laços de consanguinidade se sobressaem. O compadrio tem relevância com o cumprimento de ritos recebidos dos antepassados. As formalidades não recaem necessariamente sobre os indivíduos, a família se põe acima de muitas das exigências sociais. A utilização de endogamia é outro fator que reforçam os laços de parentesco, quer seja por consanguinidade, ou por afinidade, são responsáveis pela indivisibilidade do patrimônio dessas unidades sociais.</span></span></p>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>A terra, portanto, pertence à comunidade e foi passado por sucessivas gerações com base na transmissão por herança. Mas a não – mercantilização da propriedade, por um lado, e a redistribuição de novas áreas através da herança ou de casamento, por outro, sedimentaram a comunidade e o sentimento entre os arraigados, de pertencerem a uma grande família. Este elo entre os membros da comunidade tem adquirido tamanha coesão que as querelas são resolvidas no seio da própria comunidade.</span></span></p>
<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Assim, falar dos quilombos na África, ou na América, e tão especialmente no Brasil, e mais precisamente na Bahia, é expor de forma intencional a história de homens e mulheres que ao longo dos anos constituíram-se enquanto uma comunidade que elaborou estratégias de sobrevivência, em meio a um mundo extremamente hostil, ideologicamente hegemônico e notadamente racista. O que vale, inclusive, para os dias atuais. É, portanto revelar valores civilizatórios como a memória social, a oralidade, a ancestralidade e territorialidade como elementos contra-hegemônicos a uma ordem respaldada pela lógica cartesiana – racionalista, centrada na noção de individualismo, competitividade e acumulo de bens e capitais. </span></span></p>
<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Verdana, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>Desta forma, os Quilombos constituíram e ainda se constituem, em seus descendentes, enquanto formas alternativas de conceber o mundo e agir sobre ele, transformando-o. O protesto solitário atingiu o nível de coletivo e configurou uma organização social que superava a perspectiva fragmentária de uma revolta motivada apenas por questões pessoais. Ainda que não formulado em torno de um paradigma elaborado previamente, o quilombo pressupõe negros de etnias, linguagens, cultura e religiões diferentes, índios fugidos e brancos pobres, a necessidade de estratégias de produção, enfrentamentos militares, recuos a qualquer momento, comercialização de produtos com o inimigo e toda sorte de infortúnios. Nesse sentido Moura (2001) introduz o conceito de quilombagem enquanto um processo permanente que se manifesta durante todo período escravista, inserindo o papel dos quilombos numa análise não isolada, mas numa visão de conjunto. Assim ele afirma que</span></span></p>
<p align=”JUSTIFY”><span style=”color: #800080;”><span style=”color: #000000;”>“</span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: large;”><span style=”color: #000000;”><span style=”font-size: small;”>A quilombagem pode apresentar como saldo a construção de um modelo paralelo de organização todas as vezes que se estruturava em um espaço quilombola: modelo de economia, organização familiar, estrutura militar, religião, organização política, distribuição de bens, interação interna, papéis e função social dos sexos, formas de lazer e de Poder. (…) É nesta visão de totalidade – histórica, social, cultural e política, que o universo quilombola pode ser apresentado na sua radicalidade em confronto com o outro, o escravista.”</span></span><span style=”color: #000000;”><span style=”font-size: small;”>(MOURA, 2001:113)</span></span></span></span></span></p>
<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: large;”><b>Referências Bibliográficas</b></span></span></p>

<ul>
<li>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>DaMATTA, Roberto. Relativizando. Uma Introdução à Antropologia Social, Editora: Rocco, Rio de Janeiro, 1987 </span></span></p>
</li>
</ul>
<ul>
<li>
<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>MOURA Clóvis. Rebeliões da Senzala, Quilombos, insurreições, guerrilhas. 3</span></span><sup><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>a</span></span></sup><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> edição, Livraria Editora Ciências Humanas, São Paulo. 1981</span></span></p>
</li>
<li>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>MOURA, Glória. Direito a Diferença In Superando o Racismo na Escola. 3</span></span><sup><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>a</span></span></sup><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> edição,Ministério da Educação, Secretária de Educação. Brasília- DF. 2001.</span></span></p>
</li>
<li>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>MUNANGA, Kabengele. Mestiçagem e experiências interculturais no Brasil. In: Schwart, Lilia Moritz, REIS, Letícia de Souza (orgs) Negras Imagens. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Estação Ciência, 1996.</span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> PEDREIRA, Pedro Tomás. </span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>Os Quilombos Brasileiros</b></span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>, Salvador, Prefeitura Municipal de Salvador, Departamento de Cultura da SEMEC, 1972.</span></span></p>
</li>
<li>
<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>QUERINO. Manuel. </span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>Costumes Africanos no Brasil</b></span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> .Volume XIX. 2ª Edição. Editora Massangama.Recife-PE. 1988.</span></span></p>
</li>
<li>
<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>REIS João José e GOMES, Flávio dos Santos, orgs. </span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>Liberdade por um fio – História dos Quilombos no Brasil,</b></span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> São Paulo: Cia das Letras, 1996. </span></span></p>
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<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>REIS, João José e SILVA,</span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b> Eduardo. Negociação e Conflito. A Resistência Negra no Brasil Escravista,</b></span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”> Companhia das Letras. São Paulo-SP. 1999. </span></span></p>
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<p align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>SANTANA, Carlos Eduardo C. de. Santana, </span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>Espaços negros: lugar de negro, lugar de aprender</b></span></span> <span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>In Coletânea de Textos – Educação na Bahia</b></span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>. Editora da UNEB, Salvador-Ba. 2001</span></span></p>
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<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”color: #333333;”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>_____________________ </span></span></span><span style=”color: #333333;”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>Carnaval, identidade e educação: Um olhar sobre os blocos afro</b></span></span></span><span style=”color: #333333;”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>s In Sementes: Cadernos de Pesquisa, Salvador. 2002</span></span></span></p>
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<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>____________________.</span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>Lajes dos Negros: O quilombo da Liberdade. Um estudo sobre uma comunidade negra no Interior da Bahia</b></span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>. Coleção Memória da Educação na Bahia. Salvador-Bahia: , v.001, n.0001, p.005 – , 2001.</span></span></p>
</li>
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<p class=”western” align=”JUSTIFY”><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>SODRÉ, Muniz. </span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”><b>Claros e escuros. Identidade, povo e mídia no Brasil</b></span></span><span style=”font-family: Arial, sans-serif;”><span style=”font-size: small;”>. Editora Vozes.Petropolis.1999.</span></span></p>
</li>
</ul>
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